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<p> </p><p><br></p><p>Veja notícia na integra em:&nbsp;<a href="https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2026/04/laboratorio-cristalia-se-prepara-para-futuro-do-negocio-sob-a-polilaminina.ghtml">Laboratório Cristália se prepara para futuro do negócio sob a polilaminina</a></p><p><br></p><p>Desde que conheceu a polilaminina, a relação do Brasil com a promissora molécula para tratamento de lesões na medula oscila entre euforia e cautela. É esta última que tem dado o tom às conversas recentes do médico Ogari Pacheco, cofundador e presidente do Cristália. O laboratório investiu R$ 110 milhões na pesquisa da cientista Tatiana Sampaio, da UFRJ, e será responsável pela fabricação da polilaminina caso ela comprove sua eficácia em testes clínicos e seja aprovada pela Anvisa.</p><div><br></div><div>Em entrevista à coluna, Pacheco se esquivou de dar previsões sobre quando isso vai acontecer. Mas isso não quer dizer que o laboratório paulista, que faturou R$ 4,5 bilhões no ano passado, não aposte alto em um medicamento que, segundo o próprio Pacheco, deve se tornar seu carro-chefe nos próximos anos.</div><div><br></div><div>— Quando a Anvisa liberar a comercialização do produto, vamos ter uma demanda muito grande, aqui e lá fora. Eu, inclusive, já recebo contatos do exterior. Sabendo disso, estamos nos prevenindo para garantir que haja matéria-prima. Estamos armazenando laminina (proteína natural extraída de placentas humanas) no maior volume possível já há algum tempo, mas dependemos do aval da agência para transformá-la em medicamento — afirma Pacheco.</div><div><br></div><div>Segundo o empresário, como cada placenta oferece laminina para a produção de apenas três frascos de medicamento, o Cristália já estima que será necessário ampliar a rede de hospitais que fornecem a matéria-prima.</div><div><br></div><div><br></div><div><b>Ampliação</b></div><div><br></div><div>A polilaminina vai entrar na primeira de três fases dos estudos clínicos, que são indispensáveis para a comprovação de segurança e eficácia. Nas últimas décadas, a molécula passou por testes pré-clínicos — em células e animais — e por um estudo-piloto com oito pacientes. Os resultados desses testes iniciais foram apresentados em artigo preliminar (preprint) publicado pela pesquisadora Tatiana em 2024. No mês passado, a cientista admitiu, em entrevista ao g1, que fará uma revisão no trabalho, porque ele continha erros em um gráfico e na apresentação dos dados.</div><div><br></div><div>Em paralelo aos preparativos para a eventual demanda da polilaminina, o Cristália está fazendo uma ampliação significativa do seu parque fabril, de dez para 15 unidades. Como o blog da coluna noticiou no mês passado, o laboratório está fechando a compra de uma fábrica da japonesa Takeda em Jaguariúna (SP), por exemplo. Um dos objetivos é aumentar a fabricação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), toxina botulínica e hormônio do crescimento. (Dos 350 produtos do Cristália, o hormônio Criscy é hoje seu carro-chefe, seguido por anestésicos.)</div><div><br></div><div>— Por um determinado período, muito provavelmente a polilaminina será o carro-chefe, mas a expansão está ligada à demanda reprimida que já temos por outros produtos do portfólio. Além disso, temos outros produtos no forno que, na nossa avaliação, têm tanto potencial disruptivo quanto a polilaminina — despista o empresário.</div><div><br></div><div>O Cristália teve o primeiro contato com a pesquisa de Tatiana Sampaio há cerca de oito anos, diz Pacheco. Segundo o empresário, “ela ofereceu (o projeto) para muita gente, mas eu, como médico, pude perceber o valor”. O investimento de R$ 110 milhões, incluindo a montagem de uma nova estrutura para o laboratório, foi o maior já feito pelo Cristália em uma pesquisa externa. Não foi um cheque a fundo perdido, claro.</div><div><br></div><div>— Eu preciso ter retorno. Senão, o que sustenta a pesquisa? Mas procuraremos aplicar um preço civilizado, que nos permita financiar essa pesquisa e outras. Não será nada abusivo, faremos o que melhor atender ao propósito de um medicamento dessa natureza. Não posso fazer disso algo para me enriquecer. Mas preciso que seja vendido com alguma margem para manter o investimento — sustenta o empresário.</div><div><br></div><div><br></div><div><b>Pacificação</b></div><div><b><br></b></div><div>Uma das incumbências do Cristália tem sido viabilizar a aplicação de polilaminina em pacientes que obtiveram na Justiça a autorização para uso compassivo. O Cristália contratou neurocirurgiões, que estão fazendo as cirurgias e treinando outros profissionais. Segundo o laboratório, já foram 50 aplicações até agora.</div><div><br></div><div>Além disso, o Cristália se ocupou dos pedidos de patente no Brasil e nos principais mercados estrangeiros.</div><div><br></div><div>— Quando entramos no projeto, analisamos o pedido que tinha sido feito pela doutora Tatiana e verificamos que havia algumas dificuldades na papelada. Como temos experiência com isso, refizemos os pedidos. A molécula em si não é mais patenteável, mas o processo para obtê-la, sim — explica.</div><div><br></div><div>O Cristália também tem feito pesquisa própria sobre as aplicações da polilaminina. Enquanto a cientista da UFRJ pesquisa o efeito da molécula em lesões medulares com aplicação até 72 horas após o trauma, o Cristália quer entender como ela pode ser usada em pacientes crônicos.</div><div><br></div><div>— Hoje, a aplicação em pacientes crônicos é inviável por causa da cicatrização. Estamos trabalhando na superação desse obstáculo, que é de ordem farmacotécnica. Isso ampliaria enormemente o público potencial — acrescenta.</div><div><br></div><div>Se a polilaminina ainda é uma promessa, pelo menos um problema ela já resolveu no Cristália: as famílias Pacheco e Stevanatto, donas da empresa, pararam de discutir uma cisão.</div><div><br></div><div>— Chegamos à conclusão de que é melhor continuarmos juntos. A sociedade está pacificada do ponto de vista societário, principalmente depois da polilaminina. Nenhuma das partes tem condição de comprar a fatia da outra — conclui.</div><div><br></div> <p></p>
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Polilaminina Dr. Pacheco Tatiana Sampaio UFRJ