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<div><br></div><div>Confira abaixo a íntegra da matéria postada por Abifina. Link:&nbsp;<a href="https://abifina.org.br/facto/79/destaque/biotecnologia-no-brasil-do-berco-esplendido-nasce-uma-potencia-industrial-sustentavel/">Biotecnologia no Brasil: do berço esplêndido, nasce uma potência industrial sustentável - ABIFINA</a></div><div><br></div><div><div>Deitado em berço esplêndido, como diz o hino nacional, o Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo, possuindo mais de 20% do total de espécies do planeta, entre terra, ar e água, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Com tamanha riqueza que vem de berço, o Brasil está despertando para transformar essas vantagens em mais prosperidade, soberania e desenvolvimento industrial – tudo isso com sustentabilidade, deixando um legado para as próximas gerações. Tal movimento ganhou ainda mais força em 2025, com a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), em novembro passado, na cidade de Belém do Pará.</div><div><br></div><div>No contexto da chamada bioeconomia, uma das áreas de maior expansão (e mais promissoras) para a indústria é a biotecnologia, que envolve o uso de sistemas biológicos, organismos vivos e seus derivados para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores. Ela vem impulsionando segmentos como fármacos, vacinas, saúde animal, cosméticos, gestão de resíduos e agricultura, além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas.</div><div><br></div><div>Nesta reportagem, a FACTO analisa o bilionário mercado de biotecnologia no Brasil, destacando o cenário atual, ações em andamento, perspectivas futuras e desafios que ainda precisam ser enfrentados, sobretudo após a pandemia da covid-19 revelar fragilidades na indústria, mas também importantes capacidades instaladas no País.&nbsp;</div><div><br></div><div><i>“Com a expansão da biotecnologia, temos a oportunidade de dar um salto na indústria brasileira de química fina, com mais inovação, desenvolvimento e competitividade, inclusive no cenário global”, define o presidente executivo da ABIFINA, Andrey Freitas.</i></div><div><br></div><div>Crescimento exponencial nessa década&nbsp;</div><div>Os números são expressivos sobre a importância (e o potencial) da indústria de biotecnologia no Brasil. De acordo com relatório da consultoria Grand View Research, o mercado brasileiro nessa área movimentou US$ 27,3 bilhões em 2023, com a previsão de chegar a US$ 69,1 bilhões em 2030, o que representa um crescimento médio anual de 14,2%. O setor de saúde foi o que mais contribuiu para esses indicadores.</div><div><br></div><div>Confirmando essa tendência, quase metade das 952 deep techs (empresas de base científica e tecnológica que desenvolvem soluções para problemas complexos) identificadas no Brasil – isto é, 433 empresas – atua com biotecnologia, especialmente voltadas para saúde e agronegócio, segundo relatório da consultoria Emerge.&nbsp;</div><div><br></div><div>Ainda de acordo com a Grand View Research, o Brasil representa 1,8% do mercado global de biotecnologia, o que parece pouco para quem possui mais de 20% das espécies do planeta. A consultoria estima que o mercado internacional tenha alcançado mais de US$ 1,55 trilhão em 2023, podendo chegar a US$ 3,88 trilhões até 2030, impulsionado pelo desenvolvimento da inteligência artificial e outras ferramentas digitais que contribuem para acelerar as ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação.</div><div><br></div><div>De volta ao cenário brasileiro, ao avaliar os empregos diretos e indiretos no segmento de biossoluções (que inclui a biotecnologia), estima-se que o setor tenha gerado 95 mil postos de trabalho em 2024, e poderá chegar a 276 mil em 2035, segundo relatório da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI).&nbsp;</div><div><br></div><div>Nesse contexto, a biotecnologia contribui para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores com maior valor agregado e impacto em diversas cadeias produtivas, além de gerar empregos mais qualificados. Assim, apresenta potencial destacado para fortalecer a base produtiva nacional, desenvolver plataformas tecnológicas inovadoras e estimular a inserção brasileira nas cadeias globais de valor, especialmente no segmento de química fina.</div><div><br></div><div>Para o vice-presidente de Biotecnologia da ABIFINA e assessor científico sênior de Bio-Manguinhos/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Akira Homma, o cenário nacional é promissor.</div><div><br></div><div><i>“As atividades biotecnológicas no Brasil vêm crescendo de forma acelerada. E observa-se um aumento de interação entre universidades, indústrias, investidores e governos, com financiamento público e privado”, afirma. Homma destaca também os polos de pesquisa em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio de Janeiro, que envolvem parques tecnológicos e instituições de apoio como Biominas Brasil, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).&nbsp;</i></div><div><br></div><div>Apesar dos desafios, indústria avança</div><div>Para concretizar todo esse potencial, ainda há muito a se fazer. De acordo com Homma, a evolução da indústria de biotecnologia no Brasil depende de diversos fatores, como a modernização de instalações e equipamentos, aumento da capacidade produtiva, formação de recursos humanos especializados e, principalmente, investimento em inovação e fortalecimento das atividades de pesquisa básica.&nbsp;</div><div><br></div><div>Nesse cenário, o vice-presidente de Biotecnologia da ABIFINA defende a criação de uma política pública no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB) para fomentar a produção dos insumos necessários à fabricação de imunobiológicos, reduzindo a dependência das importações nessa área, além de ações para acelerar procedimentos relativos ao desenvolvimento e à produção de novas vacinas, o que se tornou urgente (mas também viável) após a experiência da pandemia.<i> “São desafios que exigem uma participação muito maior e apoio do governo e das agências de fomento e financiamento”,</i> frisa.</div><div><br></div><div>Na mesma linha, o relatório da Emerge sobre deep techs aponta gargalos nessa área, como a dificuldade de acesso à infraestrutura necessária de pesquisa e a baixa atração de investimentos privados em estágios iniciais da atividade, quando o risco é mais alto.</div><div><br></div><div>No âmbito da indústria nacional de química fina, a análise não é diferente. O cofundador e presidente do Conselho do Laboratório Cristália, Ogari Pacheco, resume os desafios enfrentados pelas empresas.<i> “A produção de insumos e medicamentos biológicos demanda infraestrutura sofisticada, mão de obra altamente qualificada e ambiente regulatório ágil e harmonizado com padrões internacionais”</i>, observa, destacando o alto custo de implantação de novas plantas industriais, a necessidade de atualização constante frente à evolução tecnológica e a complexidade dos processos regulatórios.</div><div><br></div><div>Pacheco ressalta ainda a importância de ações como parcerias público-privadas, incentivos fiscais e linhas de financiamento de longo prazo – e também para atividades com maior risco. Entre as demandas do setor produtivo brasileiro, também podem ser mencionadas a participação ampliada do capital privado, políticas de compras públicas inovadoras, marcos regulatórios estáveis e maior integração entre políticas públicas e estratégias empresariais.</div><div><br></div><div>Apesar disso, a indústria nacional vem avançando significativamente nos últimos anos. O Cristália, por exemplo, possui duas plantas de biotecnologia no complexo industrial de Itapira (SP) e, recentemente, anunciou investimentos de R$ 350 milhões para instalação de uma terceira planta, em Montes Claros (MG).&nbsp;</div><div><br></div><div>Entre os projetos da empresa, merecem destaque o desenvolvimento da enzima colagenase animal-free, o primeiro insumo biológico produzido pelo laboratório, utilizado na produção de pomadas para feridas de difícil cicatrização e queimaduras; a somatropina do Cristália, o primeiro biossimilar aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que atualmente é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) com Bio-Manguinhos/Fiocruz, beneficiando mais de 30 mil crianças e adolescentes com déficit de crescimento; e, mais recentemente, a polilaminina, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e produzida a partir da placenta de parturientes saudáveis, que se constitui numa esperança concreta para pacientes que sofreram lesões na medula espinhal.&nbsp;</div><div><br></div><div><i>“Há muitos anos, destaco que o Brasil não pode ser meramente um importador de insumos e ficar dependente do produto externo. Por isso, sempre me empenhei, e continuo empenhado, na produção de insumo farmacêutico ativo (IFA) local. Isso tem permitido ao Cristália a produção de medicamentos com inovação radical inéditos no mundo”, explica o presidente do laboratório.&nbsp;</i></div><div><br></div><div>Para a indústria nacional, está claro que a expansão ainda maior e contínua da biotecnologia brasileira depende do combate aos gargalos apontados. Nesse contexto, o gerente de Relações Governamentais da Libbs Farmacêutica, George Cassim, destaca a importância de se ampliarem a segurança jurídica e a previsibilidade das PDPs, transformando a atual regulamentação em política de Estado, e de se aprimorar o ambiente de inovação, com a integração de universidades, laboratórios públicos e setor produtivo, para fomentar a conversão das pesquisas em produtos.</div><div><br></div><div><i>“Para que empresas com plantas produtivas, atividades de pesquisa e desenvolvimento, e geração de empregos continuem investindo no País, é essencial consolidar um ambiente estável e claro”, defende Cassim.</i></div><div><br></div><div>COP30: anúncios de investimentos</div><div>De sua parte, o setor público vem buscando dar respostas a desafios que ainda são problemas para a biotecnologia nacional, como infraestrutura e investimento, entre outros gargalos.</div><div><br></div><div>Recentemente, durante a COP30, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram editais de investimento para empresas e instituições de pesquisa em sustentabilidade, totalizando R$ 460 milhões. Um dos editais é o Pró-Amazônia 2025, que inclui a biotecnologia entre as áreas contempladas e disporá de R$ 150 milhões para equipamentos, serviços e bolsas de pesquisa na região.&nbsp;</div><div><br></div><div>Outro edital anunciado pela Finep foi o de Fundos de Investimento em Bioeconomia e Sustentabilidade, que prevê o investimento de R$ 60 milhões em até dois fundos de investimentos que possuam participações acionárias em empresas atuantes nas áreas de bioeconomia e sustentabilidade. Os recursos são provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).</div><div><br></div><div>Tais investimentos se relacionam ao contexto geral de cooperação da COP30, na qual foi lançada a plataforma internacional Bioeconomy Challenge, que reúne governos, empresas e sociedades para desenvolver uma agenda global com projetos, metas e recursos voltados à bioeconomia.&nbsp;</div><div><br></div><div>Nesse cenário amplo, considerando todos os segmentos envolvidos com a transição energética, a Finep já investiu mais de R$ 12 bilhões desde 2023, reforçando o compromisso com a temática, por meio das ações vinculadas à NIB.&nbsp;</div><div><br></div><div>A Embrapii também está destacando a biotecnologia em suas atividades de fomento. Em 2022, a empresa lançou a Rede de Inovação em Bioeconomia, numa parceria com o MCTI, oferecendo à indústria R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis, além do apoio de seus 28 centros de pesquisa, para estimular o desenvolvimento de novas soluções em áreas como biotecnologia, biofármacos e agricultura.</div><div><br></div><div>Mais recentemente, em 2025, a Embrapii e o Ministério da Saúde anunciaram R$ 150 milhões em investimentos para a inovação no segmento de saúde, que podem chegar a R$ 240 milhões ao incluir a contrapartida das empresas e instituições científicas e tecnológicas participantes.&nbsp;</div><div><br></div><div>O destaque do anúncio é a chamada para credenciar o primeiro Centro de Competência em RNA mensageiro do Brasil, com investimentos de R$ 60 milhões voltados a temáticas como biotecnologia, diagnósticos avançados e a fabricação nacional de fármacos e farmoquímicos. O objetivo é fortalecer a inovação em vacinas e terapias, além de contribuir para a redução da dependência brasileira nesse setor.&nbsp;</div><div><br></div><div>Nesse contexto de fomento à indústria nacional, cabe destacar ainda a parceria entre a ABIFINA e a Embrapii com foco na realização de eventos em conjunto, incluindo roadshows em empresas inovadoras, na divulgação dos instrumentos de apoio da Embrapii, e na promoção de maior interação entre os associados e as unidades da empresa.</div><div><br></div><div>Soberania na produção de vacinas</div><div>Parceiro da Embrapii, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também está investindo em biotecnologia, especialmente em atividades estruturantes. Um exemplo disso, anunciado em 2024, foi o investimento de R$ 386 milhões para uma nova planta industrial do Instituto Butantan, em São Paulo. O objetivo é permitir o desenvolvimento de bancos de vírus e células para produtos biológicos, como vacinas e medicamentos.&nbsp;</div><div><br></div><div>Com investimentos totais de R$ 263 bilhões até 2026 no âmbito da NIB, o BNDES já aportou mais de R$ 74 bilhões na missão da política industrial voltada às cadeias agroindustriais sustentáveis, R$ 8 bilhões para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e R$ 23 bilhões na bioeconomia (dados de outubro de 2025), beneficiando diversos setores relacionados à biotecnologia.</div><div><br></div><div>O BNDES participa ainda da retomada que levará à construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (CIBS), no Rio de Janeiro – projeto da Fiocruz com apoio do Ministério da Saúde. Buscando a soberania nacional na produção de vacinas e biofármacos, além do potencial para atender às demandas de saúde pública globais, o CIBS terá capacidade de produzir cerca de 120 milhões de frascos por ano, tornando-se o maior centro de processamento de produtos biológicos da América Latina. Com isso, também irá fortalecer o papel da Fiocruz, que, em 2024, produziu 80 milhões de doses de vacinas para o Programa Nacional de Imunizações e 8 milhões de frascos/seringas a partir do seu portfólio de biofármacos.&nbsp;</div><div><br></div><div>O contrato para a construção do CIBS foi assinado em 2022, mas o consórcio vencedor teve dificuldades e o impasse só foi resolvido em 2025, com a mediação do Tribunal de Contas da União (TCU). Nessa nova etapa, focada na estruturação de um processo para a retomada da construção, o projeto foi qualificado no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), vinculado à Casa Civil da Presidência da República.&nbsp;</div><div><br></div><div>Inserido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o projeto passará a contar com uma parceria entre a Fiocruz, o BNDES e a International Finance Corporation (IFC), uma das cinco organizações que integram o Banco Mundial. O investimento previsto é de R$ 6 bilhões, envolvendo recursos públicos e privados, e a licitação para escolher a empresa que irá construir e operar o CIBS deverá ocorrer durante o segundo semestre de 2026.</div><div><br></div><div>Junto com a nova fase do CIBS, o Ministério da Saúde anunciou, em novembro passado, 31 novas PDPs para a fabricação nacional de 28 produtos. Os projetos aprovados envolvem tratamentos de câncer, diabetes, artrite, doenças raras, antirretrovirais, vacinas para covid-19, entre outras. Essa também foi uma retomada, pois não havia seleção de novos projetos de PDPs desde 2017. No total, os investimentos anunciados para a indústria nacional chegaram a R$ 15 bilhões.</div><div><br></div><div>Com novos investimentos, reforço na infraestrutura produtiva e de pesquisa, e a ampliação das parcerias, a expectativa é de que a biotecnologia avance e, desse berço tão rico, nasça um Brasil mais próspero, soberano e industrialmente forte</div></div><div><br></div>
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Abifina Dr. Ogari Pacheco Biotecnologia